O ecossistema empreendedor e as PME. Uma fonte de oportunidades económicas

A prosperidade futura e o bem-estar social e económico de qualquer país e do mundo em geral dependerão, entre outras coisas, da capacidade que estes exibam para promover com sucesso e de maneira sustentável um espírito empreendedor dinâmico que incorpore a inovação como um de seus princípios orientadores.

As evidências internacionais mostram que as acções destinadas a promover o empreendedorismo podem efectivamente impulsionar o emprego e aumentar a renda a nível geral, especialmente entre os jovens dos países em desenvolvimento.

Dessa forma, o apoio ao empreendedorismo é uma das ferramentas privilegiadas para gerar um ecossistema de negócios, capaz de absorver os acelerados avanços tecnológicos e produtivos que estão ocorrendo no mundo e que afectam cada vez mais as nossas vidas. Ao longo deste processo, as pequenas e médias empresas (PME) irão desempenhar um papel fundamental.

O papel das PME no tecido produtivo

As PME têm sido historicamente um dos actores mais importantes nas actividades económicas, desempenhando um papel fundamental como fornecedoras de emprego e, portanto, são uma das principais geradoras de fontes de renda.

As PME são, portanto, importantes impulsionadores da actividade económica em muitos países no mundo e, portanto, a sua promoção torna-se uma ferramenta necessária que funciona como um catalisador para o desenvolvimento local.

Na Europa, mais de 90% das empresas são PME e contribuem com mais de 53% para o sector do emprego. Nos países da África Subsaariana, as PME contribuem com 90% para o sector de emprego.

Cruciais no processo de superação da pobreza, desigualdade e desemprego, as PME desempenham um papel fundamental, particularmente no que diz respeito à inclusão laboral e produtiva de grupos marginalizados, como mulheres chefes de família, pessoas com deficiência, trabalhadores rurais e, especialmente, jovens.

É por estas razões que o desenvolvimento, promoção e crescimento do ecossistema empreendedor e das PME, especialmente nas áreas rurais, se tornaram uma dimensão crítica para a maioria dos países do mundo, principalmente para aqueles em processo de desenvolvimento. E Moçambique não é excepção.

As PME em Moçambique

Como noutras partes do mundo, em Moçambique, as PME são o segmento de negócios mais significativo. No entanto, no caso específico do nosso país, elas representam uma percentagem esmagadora, atingindo 98,7% do total de empresas registadas. Por sua vez, assumem mais do que um papel determinante no desempenho de nossa economia nacional, contribuindo com cerca de 28% para o Produto Interno Bruto e cerca de 42% do emprego formal.

O futuro promissor de Moçambique, especialmente caracterizado pelos megaprojectos relacionados com a exploração dos nossos recursos naturais, requer obviamente a participação de grandes empresas multinacionais que investem activamente no nosso território, gerando emprego e riqueza.

No entanto, a fim de assegurar que a melhoria das condições de vida por meio do emprego e da satisfação e realização pessoal atinja a todos igualmente de maneira equilibrada, o motor desse processo deve ser o sucesso das Pequenas e Médias Empresas. Por isso, devemos abordar os desafios mais prementes que elas enfrentam.

De acordo com um estudo realizado pelo IPEME / USAID, em conjunto com a Baker Tilly Moçambique, os obstáculos para a consolidação das PME são os seguintes:

  1. Mão de obra pouco qualificada;
  2. Gestão financeira ineficiente;
  3. Estrutura de financiamento rígida;
  4. Limitada capacidade de planeamento e visão estratégica;
  5. Barreiras ao comércio com o exterior;
  6. Infra-estruturas públicas pouco satisfatórias;
  7. Corrupção e complexidade de processos públicos;
  8. Relacionamento entre sector público e privado.

 

Muitas destas questões, especialmente as quatro últimas, são claramente de natureza estrutural e é acima de tudo uma responsabilidade pública combatê-las. Neste sentido, o Governo de Moçambique já está a executar programas que visam melhorar o ambiente de negócios.

No entanto, do sector privado, as grandes empresas também podem e devem também estar envolvidas na promoção do ecossistema empreendedor e no apoio à actividade das nossas PME.

Grandes empresas e apoio às PME no contexto moçambicano

O apoio às PME pode ser feito de várias formas, mas o apoio de grandes empresas é crucial para permitir-lhes melhorar a sua estrutura organizacional, adoptar novas tecnologias e obter estabilidade financeira.

Sob estas premissas, a DHD Holding e o Grupo SOICO têm promovido iniciativas e actividades específicas com o objectivo de estimular o crescimento económico e fortalecer o tecido empresarial moçambicano.

O Prémio 100 Melhores PME, por exemplo, é uma iniciativa lançada em 2012, concebida tendo em mente a comunidade de negócios nacional e com o objectivo de reconhecer publicamente as boas práticas de gestão entre as PME locais.

Este prémio não só promove a concorrência, as boas práticas, a troca de experiências e impulsiona a actividade das Pequenas e Médias Empresas, mas também identifica exemplos de empreendedorismo, criação de riqueza e geração de emprego que servem de inspiração para outros empreendedores.

Por outro lado, acreditando no enorme potencial da comunidade empreendedora em Moçambique e reconhecendo ao mesmo tempo os obstáculos que enfrentam, fundamentalmente no que diz respeito ao acesso ao financiamento, na DHD Holding decidimos apoiar a Izyshop, uma empresa moçambicana que oferece uma plataforma on-line, conectando produtores e vendedores a retalho aos consumidores com entrega no domicílio no mesmo dia.

Acreditando na visão de crescimento internacional desta start-up, nós apoiamo-la, convencidos de que com a DHD podemos contribuir para agregar valor de gestão e comunicação ao negócio, ajudando no seu processo de expansão pan-africano.

Estes são dois exemplos que mostram como os compromissos das grandes empresas podem desempenhar um papel activo no processo de desenvolvimento produtivo do nosso país. Para o fazer, devemos apoiar os nossos empreendedores e PME, porque eles são hoje a realidade da nossa economia, mas acima de tudo eles representam o potencial de um futuro próspero para todos os nossos cidadãos.